KTM no Brasil: marca confirma cinco novos modelos até 2027
Na inauguração da fábrica de Manaus, a KTM confirmou 390 Enduro R, 790 Duke, 790 Adventure R e as duas 1390 Super Adventure para o Brasil até 2027, ainda sem preços.
A KTM no Brasil saiu de Manaus com uma lista na mão. A fábrica no Polo Industrial de Manaus foi inaugurada em 14 de outubro. Na ocasião, a marca austríaca confirmou pelo menos cinco modelos novos para o mercado nacional até 2027. São a 390 Enduro R, a 790 Duke, a 790 Adventure R e as duas versões da 1390 Super Adventure, a S e a R. Nenhuma delas tem preço anunciado.
O anúncio veio junto com uma mudança estrutural. Até agora, as KTM eram montadas aqui pela Dafra, parceria que começou em 2016. Agora a linha é da própria marca, em um galpão de 4.000 metros quadrados ao lado da fábrica da Bajaj, acionista majoritária do grupo que controla a KTM. Portanto, muda o endereço e muda também quem responde pela montagem.
Matteo Villano, da operação brasileira, disse que as chegadas serão escalonadas e começam em 2027. Segundo ele, o ano que vem será de introdução de modelos e de ampliação de gama. Na prática, quem quer uma dessas motos vai esperar.
O que a KTM no Brasil confirmou em Manaus
A fábrica recebeu R$ 20 milhões em estrutura e equipamentos, segundo a marca, e emprega cerca de 100 pessoas. A capacidade instalada é de 20 mil motos por ano, embora o número esteja limitado pelas regras do Processo Produtivo Básico. O volume planejado, porém, é bem menor. Serão de 3 mil a 3,5 mil unidades até o fim de 2026. Em 2027, a meta fica perto de 6 mil.
A montagem segue o sistema CKD, ou seja, as motos chegam desmontadas em kits e são remontadas aqui. As peças vêm de países como Alemanha, Estados Unidos e Índia. Dez modelos já saem da linha. Entre eles estão as motocross 250 SX-F e 450 SX-F. Na linha de enduro, ficam a 250 EXC-F, a 350 EXC-F 6 Days, a 300 EXC e a 300 EXC 6 Days. Há também as Husqvarna FE 350 e TE 300 PRO. Por fim, entram as 390 Adventure R e 390 Adventure X, anunciadas em agosto por R$ 37.990 e R$ 33.990.
A rede também precisa crescer. Hoje são 12 concessionárias autorizadas. A meta, no entanto, é chegar a 15 até o fim de 2026 e a 30 em 2027. Vale lembrar que esta é a primeira fábrica própria da KTM fora da Áustria.
390 Enduro R abre a fila em 2027
A 390 Enduro R é a primeira da lista e está prevista para o primeiro semestre de 2027. Trata-se de uma moto de trilha com placa, categoria que praticamente não existe no mercado nacional nessa cilindrada. O motor é o monocilíndrico de 398,7 cc, com 45 cv e 39 Nm. O câmbio tem seis marchas. A suspensão é WP APEX, com 230 mm de curso na frente e atrás. Logo, dá para adivinhar o terreno que ela persegue.

No entanto, dois números pesam contra. O assento fica a 890 mm do chão, altura que exclui boa parte dos pilotos brasileiros. O tanque, além disso, leva apenas 9 litros. Com 159 kg sem combustível, ela é leve para a categoria, mas essa autonomia curta limita o uso em viagem longa. Quem procura algo mais civilizado já encontra a KTM 390 Adventure nas lojas, por R$ 33.990 na versão X.
Ficha técnica da 390 Enduro R
Os dados abaixo são da ficha oficial europeia, publicada no site internacional da KTM, porque a versão brasileira ainda não foi homologada. Logo, podem mudar.
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motor | Monocilíndrico de 398,7 cc, arrefecido por líquido |
| Potência | 45 cv, conforme a ficha europeia |
| Torque | 39 Nm |
| Câmbio | Seis marchas |
| Suspensão | WP APEX, 230 mm de curso na frente e também atrás |
| Freios | Disco de 285 mm na frente, 240 mm atrás |
| Rodas | 21 polegadas na frente, 18 atrás |
| Peso | 159 kg sem combustível |
| Tanque | Cerca de 9 litros |
| Assento | 890 mm de altura |
790 Duke e 790 Adventure R vêm na sequência
Entre as cinco, a 790 Duke é a que tem mais chance de vender. Ela usa o bicilíndrico paralelo LC8c de 799 cc, com 105 cv e seis marchas. Na frente, por exemplo, são dois discos de 300 mm com pinças radiais de quatro pistões. O conjunto pesa 167 kg sem combustível e o assento fica a 825 mm. A eletrônica traz tela TFT de 5 polegadas e modos Street, Sport e Rain, enquanto pacotes opcionais liberam launch control, quickshifter e piloto automático.

Aqui aparece a divergência mais incômoda do anúncio. Uma parte da imprensa aponta chegada no primeiro semestre de 2027, mas há relato de montagem em Manaus só a partir do segundo semestre. A KTM não confirmou data.
A 790 Adventure R vem na mesma leva. São 799 cc com 95 cv e suspensão WP APEX de 200 mm. Além disso, traz rodas de 21 e 18 polegadas e tanque de 20 litros. O vão livre é de 233 mm. De acordo com a marca, o modelo está em fase de homologação. Já a 790 Adventure comum, sem o R, teria a homologação concluída, porém sem data de lançamento.
1390 Super Adventure fecha a lista
As duas 1390 Super Adventure ficam para o fim de 2027. O motor é o V2 de 75 graus com 1.350 cc e sistema Camshift. Na versão S, portanto, são 173 cv e 145 Nm. A R muda a ciclística. Ela traz garfo WP XPLOR de 48 mm, roda de 21 polegadas e amortecedor de direção de série. Enquanto isso, a S fica com suspensão semiativa WP SAT, 220 mm de curso e roda de 19 polegadas.

São 227 kg sem combustível, tanque de 23 litros e assento entre 847 e 867 mm na versão S. Ou seja, duas trail grandes de nicho, que vão disputar o mesmo cliente da BMW R 1300 GS e da Ducati Multistrada. Como o preço não foi informado, não há como dizer se a briga será de igual para igual.
A fábrica resolve uma parte do problema
Petra Preining, CFO da Bajaj Mobility AG e da KTM AG, afirmou que os R$ 20 milhões são apenas o primeiro passo da estratégia local. Ela lembrou que o grupo manteve o investimento durante uma recuperação financeira começada havia cerca de 15 meses. Já Fabian Steinbacher, vice-presidente de operações da KTM AG, garantiu que a planta segue os padrões da Áustria. “Cada motocicleta produzida em Manaus carrega a promessa da KTM”, disse ele.
No pós-venda, a marca prometeu garantia de quatro anos, estoque nacional de peças e primeiro abastecimento com lubrificante Motul. É um aceno necessário, visto que peça cara e demorada sempre foi a principal reclamação de quem tem KTM no Brasil.
O lado fraco do plano
Nada disso veio com preço, e esse é o ponto. As fichas citadas são europeias e podem mudar na homologação nacional. Além disso, as datas são frouxas: apenas a 390 Enduro R e as duas 1390 têm janela declarada, e mesmo essas podem escorregar, como já aconteceu com outras marcas na lista de lançamentos do ano.
Há ainda a questão do volume. Seis mil motos em 2027 é pouco para sustentar 30 lojas espalhadas pelo país, sobretudo com um portfólio que vai de trilha de 400 cc a trail de 1.350 cc. Caso os preços fiquem no patamar da 390 Adventure, a conta fecha. Mas se a KTM repetir a política das importadas grandes, a lista de cinco modelos corre o risco de virar vitrine de concessionária.
