Kawasaki Versys 900 2027 estreia com motor da Z900 e radar ARAS

A Kawasaki revelou a Versys 900 2027 com o quatro cilindros de 948 cm³ da Z900, chassi treliçado inédito e radar ARAS, sem preço ou data para o Brasil.

A Kawasaki Versys 900 2027 nasceu para tapar um buraco que estava aberto há anos na família: o degrau entre a Versys 650 e a Versys 1100. A fabricante apresentou a moto em 13 de outubro de 2026, conforme as fichas e os materiais divulgados na Europa e nos Estados Unidos. Além disso, o cartão de visitas vem em duas partes. Primeiro, um motor de quatro cilindros em linha de 948 cm³ herdado da Z900. Depois, o ARAS, pacote de assistências com radar dianteiro e traseiro que estreia na linha Versys.

Ou seja, a Kawasaki não se limitou a aumentar a cilindrada da 650. Ela montou outra moto, pois o chassi é inédito e a eletrônica subiu de categoria. No entanto, o pacote tem limites bem definidos, e eles pesam na comparação com as rivais. Vamos por partes.

O que o radar da Kawasaki Versys 900 2027 entrega

O ARAS, sigla para Advanced Rider Assistance Systems, usa basicamente um sensor de radar na frente e outro atrás. A partir daí, a central de injeção cruza os dados com a IMU de seis eixos e com os sensores de velocidade das rodas. Na prática, são três funções principais.

Diagrama do sistema de radar ARAS da Kawasaki Versys 900 2027
Imagem: Divulgação/Kawasaki

A primeira é o Adaptive Cruise Control Lite, o piloto automático que acompanha o carro da frente. Portanto, vale ler o sobrenome com atenção: segundo a Kawasaki, o ACC Lite atua apenas no acelerador e não aciona os freios. Em outras palavras, numa descida longa atrás de um caminhão, a responsabilidade continua inteira do piloto. O sistema oferece, inclusive, três distâncias de seguimento.

A segunda função é o Forward Collision Warning, ou seja, o aviso de colisão frontal, com três tempos de disparo ou desligado. Já a terceira é o Blind-Spot Detection, que acende um LED no retrovisor quando há alguém no ponto cego. Caso o piloto sinalize para a faixa ocupada, o LED pisca. Vale a ressalva: o radar traseiro cobre as laterais, não o que vem exatamente atrás. Por fim, há o sinal de parada de emergência, que pisca as luzes numa freada forte.

Motor da Z900 com ajuste de estrada

O quatro cilindros de 948 cm³ tem diâmetro e curso de 73,4 por 56,0 mm e também comando duplo no cabeçote com 16 válvulas. A Kawasaki Europa declara 120 cv (122 PS) a 9.500 rpm e 97,3 Nm a 8.000 rpm. Assim, a potência fica praticamente colada na da Z900, mas a entrega foi reescrita. A marca afirma ter trabalhado o torque em baixa e média rotação, já que a proposta aqui é rodar longe e não brigar por volta rápida.

Duas Kawasaki Versys 900 2027 paradas em estrada de montanha
Foto: Divulgação/Kawasaki

As relações de marcha também ficaram mais longas. Consequentemente, a moto troca menos de marcha em velocidade de estrada. O acelerador é eletrônico, com corpos de borboleta de 36 mm, e também traz embreagem assistida e deslizante mais quickshifter bidirecional.

A eletrônica embarcada segue o padrão da casa: IMU de seis eixos, controle de tração KTRC em três níveis, modos de pilotagem e dois ajustes de potência. O painel é um TFT de 5 polegadas com duas interfaces, saída USB-C e conexão com o aplicativo Rideology. Navegação ponto a ponto e comandos de voz aparecem como opcionais, portanto não entram no preço de tabela.

Chassi novo, suspensão e freios

A base é um chassi treliçado inédito, que a Kawasaki diz ter projetado para uma distribuição de peso perto de 50:50. O entre-eixos declarado é de 61 polegadas, ou seja, algo em torno de 1.549 mm. Na frente, garfo invertido de 43 mm com cartucho e cerca de 150 mm de curso, com ajuste de recuo e de pré-carga. Atrás, o monoamortecedor Horizontal Back-link oferece aproximadamente 160 mm de curso, com ajuste de recuo e pré-carga remota manual. A Kawasaki, no entanto, não informou o fornecedor da suspensão.

A frenagem fica por conta de dois discos semiflutuantes de 310 mm com pinças radiais monobloco de quatro pistões, além de um disco traseiro de 260 mm. O ABS é de série e também trabalha com a IMU. As rodas são de 17 polegadas nas duas pontas, com pneus 120/70 e 180/55. Em resumo, nada de aro 19 e nada de pretensão fora de estrada: a Versys 900 é uma moto de asfalto com postura alta.

Ficha técnica declarada

Os números abaixo são, de fato, os divulgados pela fabricante na Europa e nos Estados Unidos. Como o peso em ordem de marcha não foi informado até agora, ele não aparece na tabela.

Item Especificação
Motor 4 cilindros em linha, 948 cm³, DOHC, 16V
Diâmetro x curso 73,4 x 56,0 mm
Potência 120 cv (122 PS) a 9.500 rpm, segundo a marca
Torque 97,3 Nm a 8.000 rpm, segundo a marca
Câmbio 6 marchas, quickshifter bidirecional
Chassi Treliçado de aço
Suspensão dianteira Garfo invertido de 43 mm, curso de 150 mm
Suspensão traseira Horizontal Back-link, curso de 160 mm
Freios 2 discos de 310 mm e 1 de 260 mm, ABS com IMU
Rodas 17 polegadas, 120/70 e 180/55
Altura do assento 825 mm ou 845 mm, regulável
Tanque Cerca de 20 litros (5,3 galões)
Peso Não divulgado

Versões, malas e preço lá fora

Na Europa, a moto sai em duas configurações. A Versys 900 de entrada, por exemplo, vem em preto e branco. Já a Versys 900 SE acrescenta faróis de neblina em LED, protetores de mão, manoplas aquecidas, protetor de radiador, sliders, carenagem inferior e cavalete central. Nos Estados Unidos, por outro lado, só existe a Versys 900 SE LT ABS, que já chega com as malas laterais Shad de 32 litros cada.

Painel TFT de 5 polegadas da Kawasaki Versys 900 2027
Foto: Divulgação/Kawasaki

Os preços anunciados ajudam a situar a moto. Nos Estados Unidos, por exemplo, a tabela oficial da Kawasaki marca US$ 13.599, contra US$ 10.599 da Versys 650 e US$ 19.799 da Versys 1100 SE LT. No Reino Unido, são 10.899 libras pela versão simples e 11.799 libras pela SE. Na Itália, enquanto isso, a imprensa local aponta partida em 12.890 euros. As entregas começam em março de 2027 nos Estados Unidos e em abril de 2027 na Europa.

Um detalhe irrita: nos Estados Unidos a moto sai em uma única combinação de cores, o verde Plasma Lime com preto. Quem não gosta de verde, portanto, fica sem alternativa por lá.

E no Brasil, como fica

Agora vem a parte que o leitor brasileiro precisa saber sem rodeios. A Kawasaki não confirmou preço, data nem sequer a intenção de trazer a Versys 900 para o Brasil. Logo, qualquer valor que circular por enquanto é conversão de moeda, e conversão de moeda não paga imposto de importação. Por ora, a marca comercializa no país a Versys-X 300, a Versys 650 e a Versys 1100.

Caso a moto venha, o posicionamento tende a ficar apertado. Afinal, ela teria a Versys 1100 logo acima e a Versys 650 logo abaixo, as duas já estabelecidas na rede de concessionárias. Encaixar uma terceira Versys no meio exige uma etiqueta bem calibrada. Enquanto isso, vale acompanhar a lista de motos confirmadas para o Brasil e o movimento das rivais no segmento, como mostramos na chegada da KTM 390 Adventure.

O que ainda não fecha

Há duas lacunas incômodas nessa apresentação. A primeira é o peso em ordem de marcha, porque a Kawasaki simplesmente não divulgou esse número. Visto que a moto soma quatro cilindros, radar, IMU, cavalete central e malas, esse número vai dizer muito sobre como ela se comporta numa manobra em baixa velocidade. A segunda lacuna é o ACC Lite. Um radar que não freia resolve metade do problema, embora reduza bastante o cansaço em rodovia.

Ainda assim, o conjunto da Kawasaki Versys 900 2027 faz sentido. Uma crossover de 948 cm³ com quatro cilindros, aro 17 e assistência por radar por cerca de 13,6 mil dólares não é pouca coisa perto do que a concorrência cobra por pacotes parecidos. Por fim, resta ver o peso, o consumo real e, para nós, se a Kawasaki do Brasil vai se interessar. A ficha completa está, inclusive, no site oficial da Kawasaki.