Por que as motos Street são as mais vendidas do Brasil (e a diferença para Naked e Trail)
Se tem um tipo de moto que domina o trânsito das cidades brasileiras, são as motos Street. Leve, econômica e fácil de pilotar, ela virou praticamente sinônimo de moto no dia a dia de quem trabalha, entrega ou só quer fugir do congestionamento. Segundo dados da Fenabrave referentes a 2024, as Street responderam por quase 40% de todas as motos emplacadas no país — mais de 744 mil unidades num único ano, um número que nenhum outro estilo chega perto de alcançar.
O motivo é simples: essas motos foram desenhadas para resolver um problema concreto, o deslocamento diário em vias asfaltadas, com segurança e sem gastar muito. A posição de pilotagem é ereta, o assento fica numa altura mediana que agrada tanto iniciantes quanto pilotos experientes, e os motores — normalmente entre 125 e 300 cilindradas — entregam velocidade máxima de 110 a 160 km/h, o suficiente para qualquer rotina urbana.
Motos Street ou Naked: qual a diferença?
É comum confundir Street com Naked, já que as duas convivem bem no asfalto e compartilham um visual “sem carenagem”. Na prática, a Naked tende a levar motorização maior, postura mais esportiva e foco em desempenho, enquanto a Street prioriza economia, praticidade e baixo custo de manutenção — por isso domina categorias de entrada como 150 e 160 cilindradas. Já quem busca mais performance pode preferir as motos esportivas. Já frente à Trail, a diferença é ainda mais evidente: a Trail tem suspensão reforçada e pneus mistos para terrenos irregulares, enquanto a Street é otimizada só para o asfalto, o que a deixa mais baixa e estável em velocidade de cruzeiro.

A briga de preço que nunca acaba
A disputa nesse segmento é acirrada justamente porque o volume de vendas é enorme. Um bom exemplo veio da Shineray, que lançou a JEF 150s praticamente no mesmo preço da líder histórica Honda CG — uma jogada direta para roubar mercado da rival mais tradicional do país. A CG, aliás, é a primeira moto quatro tempos fabricada no Brasil, com mais de 45 anos de história e ainda hoje na ponta das vendas.
Mesmo com motor um pouco menor que o da CG 160, a JEF 150s chega com partida elétrica, câmbio de 5 marchas, rodas de liga leve, setas em LED e painel parcialmente digital — um pacote competitivo para quem olha o preço de perto na hora de decidir.
Comparativo de motos Street populares no Brasil
| Modelo | Motor | Potência | Preço de referência |
|---|---|---|---|
| Honda CG 160 | 162,7 cm³, flex | 15 cv | R$ 12.280 |
| Shineray JEF 150s | 150 cm³, gasolina, monocilíndrico | 10,3 cv a 7.500 rpm | R$ 12.290 |
Vale lembrar que preços de moto street mudam com frequência, então o ideal é sempre conferir a tabela atualizada na concessionária antes de fechar negócio — mas o comparativo acima já dá uma boa noção de como as marcas brigam item por item nessa faixa de entrada.
No fim das contas, o sucesso da categoria Street não tem mistério: preço acessível, peças fáceis de achar, mecânica conhecida por qualquer oficina de bairro e resistência para rodar todos os dias sem drama. É a moto de quem trabalha em cima dela — e é exatamente por isso que ela segue, ano após ano, no topo das vendas no Brasil.
